Age of Mythology

Minha primeira reação ao ter o Age of Mythology nas mãos foi de desconfiança. Seria possível mesmo que a Ensemble Studios tivesse melhorado uma fórmula já tão boa como a dos Age I e II? Felizmente, o Age of Mythology é uma ótima surpresa para os fiéis do jogo. Além de graficamente melhor, o jogo consegue manter o melhor da série: é interessante, simples sem perder a complexidade do enredo e faz com que qualquer iniciante torne-se automaticamente um fã.

No Age of Mythology, uma civilização protegida por seu bando de deuses tem que ir levando uma vidinha simples, construindo suas cidades e conquistando terras ao mesmo tempo em que luta contra uma civilização adversária. A civilização padrão é a grega, mas o jogador pode escolher também ser da egípcia ou nórdica. A civilização grega leva vantagem em relação às outras pois aparentemente tem mais opções de armas, exércitos e recursos divinos. Mas as aparências enganam. Basta um ligeiro arranca-rabo entre os hoplitas (guerreiros médios gregos) e alguns egípcios para logo vir a vontade de virar a casaca. Os egípcios saem pulando contra os inimigos e deixam qualquer herói grego no chinelo.
Criaturas míticas de humilhar qualquer ser humano não faltam no Age of Mythology. O modo de obtê-las também é bem incomum. Além de gerar aldeões e guerreiros na academia militar, o jogador tem que se acostumar a agradecer a Deus, ou melhor, mandar o tempo todo que os aldeões façam isso. Um bom grupo de centauros ("soldado" grego metade homem e metade cavalo) quebra o galho contra egípcios voadores bem melhor do que os bons e velhos heróis gregos, o soldado humano teoricamente mais poderoso.
A estratégia também muda um pouco no Age of Mythology. Organizar a despensa da civilzação com madeira, ouro e alimento é bem semelhante ao processo nos Age anteriores. O de gerenciamento divino é que precisa de observação e muita fé. Por incrível que pareça, a deusa do amor Afrodite pode ser muito mais competente guiando o exército do que seu rival, um tal de deus da pestilência.
Detalhe: não se trata de incorreção histórica do game, que não destrói nenhuma aula de história geral, mas pode até ajudar. Os personagens no AOM estão bem fundamentados e no contexto certo.
Deixando tudo na mão de deus
O jogador de pouca fé pode achar que o AOM só traz o processo de gerenciamento divino para aumentar o poder sobre os aldeões, no melhor estilo Black & White. Não exatamente. Os deuses podem até interferir na construção da civilização mas o melhor uso é na escolha dos poderes divinos, que podem ser usados contra os inimigos para vencer as batalhas.
Deixar tudo na mão do deus escolhido é complicado. São menus infinitos, descrevendo desde o estilo do penteado de Afrodite até a predileção por moscas do deus da pestilência. Tudo muito interessante, mas que pode fazer com que uma batalha dure horas gastas apenas com muita leitura. Ir tentando os deuses certos e contrabalançar é a melhor pedida.
Procurando Atlântida no mapa
A fé no deus escolhido é importante, mas está bem longe de mover montanhas. Assim como nos Age anteriores, o jogador fica bem mais tranquilo sabendo exatamente aonde está pisando. Saber quando botar os aldeões ou os soldados para correr é a chave para explorar a terra desconhecida e ficar pronto para os inimigos.
Outro detalhe importante do AOM é que os navios são fundamentais na exploração das terras estrangeiras. E não adianta só saber onde fica Atlântida no mapa, por exemplo. Bater o olho no mapa das terras e "adivinhar" de onde virão os inimigos ajuda mais do que qualquer criatura divina espalhada aleatoriamente.
O primeiro Age com TV interativa
O Age of Mythology funciona em 3D razoavelmente bem. A novidade ainda está colocada meio "cosmeticamente", com detalhes importantes como altura de montanhas e visão panorâmica meio fora de cena. Mas um recurso de escolha de ângulo de câmera semelhante aos de TV interativa aliado com o 3D ajudam bastante. Colocando a "terrinha" em perspectiva, fica bem mais fácil para o jogador saber o que diabos o seu povo anda fazendo.
Mesmo assim as novidades são de dar bocejos a outros games requintados graficamente, como Diablo II ou Vice City. A expectativa é que o AOM ganhe expansões em breve com mais recursos "moderninhos". O melhor da série, no entanto, já está no Age of Mythology: é um jogo de perder horas. Interessante para diversos públicos (jovem, adulto, mulheres), apesar de não ter civilização cristã, com certeza o Age of Mythology fará o natal da Microsoft Games.

Diversão em grupo

O game traz um single-player excelente, mas isso não quer dizer que o multiplayer piorou. Pelo contrário: a Ensemble adicionou novas opções e rastreamento de estatísticas que tornam a diversão online ainda maior e mais acessível - e que promete fazer um sucesso parecido com o de "Age of Empires". Vale notar: é necessário ter um login do Passport (senha de Hotmail serve) para logar no servidor.

"Age of Mythology" traz as melhores qualidades da antiga série da Ensemble com todas as novidades e capricho de produção que garantiu o sucesso de "WarCraft III". Se você é fã do gênero, não pode perder esse game de maneira alguma.

Fabricante:
Ensemble Studios

Lançamento: 29/10/2002

Distribuidora:
Microsoft

Suporte:
1-12 jogadores

Configuração mínima:
PII 450MHz, 128MB de RAM, CD 4X, Placa 3D com 16 MB de RAM, 1,5GB de HD

 


Resolução recomendada: 1024x768
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